O Sorriso de Monalisa

•julho 9, 2009 • 2 Comentários

Hoje vou copiar a Lu e escrever sobre cinema tbm…

Ontem de noite estava com a cabeça quente por causa de problemas com as burocracias da universidade e resolvi rever um dos filme que mais me relaxa!!! Não, dessa vez não foi “Sob o Sol da Toscana” que na verdade é o que funciona melhor nesses casos.

“O Sorriso de Monalisa”

Filme de 2003 com direção de Mike Newell e com Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles, Meggie Gillenhaal e outros no elenco.

GRD_o sorriso de monalisa

O roteiro se passa da década de 50 e fala sobre Katherine Watson (interpretada por Julia Roberts)  uma professora de história da arte que consegue uma vaga na faculdade para mulheres  mais tradicional e reconhecida dos EUA. Ela pensa que irá encontrar as garotas mais brilhantes do país, mas acaba se deparando com garotas muito inteligentes sim, mas muito tradicionais e dependentes da família e dos futuros maridos. Katherine se esforça para levar pensamento independente a essas garotas e tenta inserir conteúdos de arte moderna no programa. A arte moderna que ainda era muito recente naquele momento não era aceita nem pela intelectualidade ainda. Katherine se mostra uma pessoa progressista e antenada com os novos rumos da arte daquele momento.

Mona Lisa

Katherine cria polêmica na escola e acaba optando por deixa-lá ao inves de ceder às regras impostas pela diretoria. Apesar disso ela inspira as alunas, ensina elas lições progressista sobre arte e vida mas também aprende a respeitar as diferenças e perder os preconceitos com as escolhas das alunas.

Um filme gostoso de ver. Muito romântico, mas esperançoso! A personagem é o tipo de pessoa que eu sempre quis ser (tirando as desilusões amorosas é claro…kkkkkk…)

Não tenho suporte teórico pra falar técnicamente sobre o filme, mas acho que ele possui uma iluminação muito bela!!!

monalisa

Acho que vale a pena assistir. Segue o trailler pra dar um gostinho:

Clara Habib

Existe a necessidade de compreender a arte?

•julho 2, 2009 • 8 Comentários

Existe necessidade de compreender a arte? Não é suficiente olhá-la e senti-la? O que devo fazer para conhecer a obra que está diante de mim? Em que condições me sentirei autorizado a dar um parecer sobre ela? Existe uma maneira de situar-se corretamente? Para que servem as metodologias de análise? Quais os objetivos da  metodologia aplicada?”

Me deparei com essas questões no exercício final da disciplina análise das linguagens contemporâneas I e comecei a refletir como nós estudiosos das artes nos confrontamos com esses questionamentos todos os dias.

Inspirada pelas reflexões que fiz como aluna desta disciplina e como monitora da discplina tópicos em arte moderna pretendo iniciar com esse post reflexões sobre a arte moderna, também sobre a arte contemporâne e seu diálogo com a história das artes visuais e com outras linguagens artísticas.

Hoje vou postar (sem nenhuma pretenção) o texto que escrevi para apresentar como resposta para essas primeiras questões do exercício final de analise. Espero que nos faça refletir.

fontaine_duchamp

“Sim, existe a necessidade de compreender a arte. Antes da modernidade uma experiência estética de contemplação era o suficiente para compreender e apreciar uma obra de arte. Após o processo de transformação que a arte passa com as vanguardas somente a experiência estética (dos sentidos) já não é mais suficiente para a compreensão e fruição de uma arte que nem sempre é bela, que já não está mais a serviço de um texto nem da realidade. Para entrar no repertório da arte moderna e no repertório da contemporaneidade é necessário cultivar uma expansão dos sentidos utilizados na experiência estética. Também se faz necessária principalmente uma experiência crítica na qual o sujeito não só recebe a arte, mas recebe, processa e opina. Esta experiência crítica necessita de métodos analíticos que ajudam a entrar no repertório da obra.

Na arte contemporânea principalmente, a “poesia” (no sentido expandido do termo proposto por Jean Cocteau) pode não estar no objeto ou ação resultante então se faz necessária uma busca pela poesia. No processo de busca pela poesia não basta ver e sentir, é necessário saber, esse processo possui um caráter cientifico, não está apenas nos sentidos e nos sentimentos. A busca pela poesia requer análise. Analisar significa decompor o corpo complexo e depois voltar a compor e para isso são necessário métodos.  Os métodos funcionam como uma caixa de ferramentas usadas na análise da arte.

Existem diferentes métodos um exemplo deles é o método Formalista. As ferramentas utilizadas pelo método Formalista dão conta da arte antes do séc XX, mas essas ferramentas sozinhas não dão conta da arte contemporânea. O método mais adequado na análise da arte contemporânea é o método Poiético, esse método não abre mão de nenhuma ferramenta, ele acompanha a dinâmica da obra.

A compreensão da obra sob todos os seus aspectos não é possível, mas o interessante é justamente o processo analítico que ajuda a entrar no repertório da obra sem enclausurá-la ou reduzi-la a conceitos e definições.”

Clara Habib

O Quebra Nozes

•novembro 11, 2008 • 3 Comentários

Estava muito sem tempo para o blog devido a algumas prioridades na minha vida, mas agora depois de séculos tive um tempinho e uma grande vontade de atualizá-lo…

No último domingo (09/11) fui assistir à uma apresentação do balé “O Quebra Nozes” no Cine Theatro Central aqui em Juiz de Fora.

“O Quebra Nozes” é um balé em 2 atos do compositor Tchaikovsky .

300px-nutcracker_design

De modo bem resumido a história se passa numa noite de natal na casa da família de Clara. Clara ganha de presente do seu padrinho, o mágico Drosselmeyer, um quebra nozes no formato de soldadinho de chumbo. Durante a noite, num sonho, O Quebra Nozes de Clara se transforma em um príncipe que a leva para um reino encantado onde a Fada Açucarada lhe dá boas vindas e lhe presta homenagens com apresentações de danças de vários paises.

300px-nutcracker_set_designs

Esse balé traz muitas lembranças da minha infância, foi o primeiro balé que eu assisti quando era bem novinha, me identifiquei com ele em vários níveis, fiquei tão fascinada que quis aprender a dançar…Depois de algum tempo, ainda criança, cheguei a conclusão que eu não tinha muito talento para a dança e desisti (num dá pra fazer tudo na vida), mas até hoje tenho um carinho muito especial por este espetáculo.

Em Juiz de Fora o espetáculo foi realizado pela Companhia Misailidis com a participação dos bailarinos Marcelo Misailidis e Ana Botafogo. Confesso que não estava esperando muito, mas me surpreendi. De modo geral o espetáculo foi bom para uma cidade de médio porte como Juiz de Fora. O cenário estava interessante e o figurino bonito, senti falta de sincronia entre os bailarinos da companhia, mas nada que detonasse o espetáculo, a coreografia tbm foi adaptada em algumas partes. Para uma leiga em dança como eu, a bailarina Ana Botafogo ainda está maravilhosa como a Fada Açucarada, papel que irá abandonar em breve em grande estilo. O chato disso tudo é o grande despreparo do público para ir ao teatro, palmas em horas inadequadas (o que desconcentra o artista);fotos (eram proibidas); gritinhos de uhuuu, bravo e muita conversa. Não é de hoje que percebo esse perfil de comportamento no público de juiz de fora que se mostra pouco educado na hora de assistir a um esopetáculo…isso sim é decepcionante, não pequenos errinhos dos bailarinos.
Enfim…assistir “O Quebra Nozes” nesta altura da minha vida sem precisar sair da cidade trouxe a tona muitos sentimentos, muitas lembranças boas e algumas frustações. Foi muito bom pra exorcizar alguns fantasmas, encará-los, finalmente libertá-los, me divertir e perceber que mesmo com alguns anos a mais e um pouco mais de maturidade eu ainda amo esse balé.

Agora alguns vídeos legais:

A Valsa das Flores:

Flocos de Neve:

Minha parte preferida – A Dança da Fada Açucarada:

A própria Ana Boatafogo na mesma parte:

Existem dois vídeos da apresentação daqui de Juiz de Fora no youtube, mas como não sei se eles são autorizados preferi não postá-los.

Clara Habib

“A Noviça Rebelde” e “A Voz do Coração”

•agosto 3, 2008 • 2 Comentários

Hoje vou escrever sobre dois filmes maravilhosos que possuem um grande ponto em comum.

O clássico e inesquecível “A Noviça Rebelde” é um musical produzido na década de 60 que tem como título original “The Sound of Music” (O Som da Música) – título que para mim que exprime pefeitamente as intenções do filme.

O filme se passa na Áustria na década de 30. Maria é uma jovem noviça que não se adapta à vida no convento, vive cantando nas montanhas (o que para mim é a sua maneira de expressar sua espiritualidade) e esquece das suas responsabilidades e das regras do local. Assim ela é enviada para trabalhar como babá na casa do Capitão Von Trapp, um homem viúvo com sete filhos que conduz a casa e as crianças com uma rigidez e disciplina fora do normal (o que não impede as crianças de “aprontarem” com todas as babás que passam pela casa). Apesar de tudo Maria com a ajuda de muita música logo modifica a vida daquela família, conquista as crianças e o capitão, que é comprometido com uma baronesa. No decorrer do filme o capitão percebe que está apaixonado por Maria, eles se casam, mas logo o Nazismo começa a crescer e a importante família Von Trapp corre grande perigo pois não esta a favor daquela força.

Os personagens são muito profundos a história também, apesar de aparentemente simples. Técnicamente o filme é impecável, músicas lindas, fotografia excelente e a maravilhosa Julie Andrews está perfeita no papel de Maria.

A seguir um trecho do filme que para mim é uma das melhores sequências da história do cinema. A qualidade do vídeo não está muito boa, infelizmente o que eu queria foi retirado pelo usuário.

“A Voz do Coração” (“Les Choristes”) é um singelo filme francês produzido 2004. Na década de 40 Clémente Mathieu, homem de meia idade e músico frustrado, é contratado para trabalhar como inspetor numa instituição para garotos desajustados chamada “Fond de L`étang” (Fundo do Poço – bem adequado, rsrsrsrs…). Apesar da resistência do diretor ele monta um coro com os meninos e assim consegue conquistá-los, transformar a instituição num ambiente melhor e acaba descobrindo um menino que possui grande talento: Pierre Morhange, que irá se tornarum famoso maestro.

Essa pequena sinopse não consegue transmitir a beleza e a sutileza desse filme, vale a pena conferir. A trilha sonora é “primorosa”.

Esses dois filmes falam do poder de união e de transformação da música, também levantam questões sobre educação e criação. Não posso negar que em ambos esses temas, às vezes, são abordados de uma maneira muito romântica e idealizada porém estimulante. Esses filmes marcaram a minha vida, assistam.

Clara Habib

Críticas ao Sr. Platão

•julho 29, 2008 • 3 Comentários

Acredito que o pensamento Platônico é muito conhecido e difundido devido a sua importancia para a sociedade ocidental moderna, mas como uma introdução vou tentar fazer um “resumo do resumo” dos principais conceitos presentes no seu projeto filosófico

De modo geral, Platão na sua “teoria das idéias” fala sobre 2 realidades: o “mundo sensível” – tudo que podemos perceber com nossos sentidos (que para ele são imperfeitos) e que está sujeito a corrosão do tempo e o “mundo das idéias” – “mundo” onde estão as “idéias” ( modelos abstratos, eternos e imutaveis a partir dos quais todos os fenomenos naturais do “mundo dos sentídos” são criados). Essa teoria é ilustrada pela “alegoria da caverna” na qual ele reforça que tudo que percebemos com os nossos sentidos são meras sombras, imitações grosseiras do real e eterno que está no mundo das idéias. Para Platão o Homem também esta inserido nessas 2 realidades: possui um corpo e uma alma imortal realmente verdadeira, eterna e bela. O corpo habita o mundo dos sentídos mas sua alma anseia se libertar e voltar ao mundo das idéais.

Em um momento de grande nostalgia (voltando aos primeiros períodos da faculdade) não posso deixar de citar o que Platão fala do artísta na “República”. Platão, embasado na sua teoria das idéias, trata o artísta como um copiador em terceiro grau pois ele copia (o que ele chama de mímese) a natureza que por sua vez copia a verdadeira realidade existente no mundo das idéias. Assim o artísta seria um ser perigoso para a sua sociedade perfeita. É certo que naquela época Platão só tinha acesso à arte mimética o que me faz pensar que ele adoraria a Arte Contemporânea se tivesse oportunidade de conhece-lá…kkkkkkkkkkkk…Com certeza a maioria dos artísta contemporâneos seriam bem aceitos na República de Platão.

Não podemos negar que o pensamento e a sociedade ocidental foram fortemente influenciados pela filosofia platônica e as religiões cristãs ocidentais também, como por exemplo o catolicismo e mais fortemente ainda o espiritismo de orientação kardecista.

Analisando o pensamento platônico podemos perceber um valorização enorme da razão em detrimento dos sentídos. Levando esse pensmento a um extremo chegamos à uma desvalozição do corpo e do mundo sensível que é muito evidente nas religiões cristãs ocidentais tradicionais e na sociedade atual. Percebemos também a valorização do tecnicismo em detrimento do instintivo.  

Vamos agora viajar um pouco em Nietzsche. Nietzsche na “Origem da Tragédia” nos apresenta a contraposição complementar entre o “espírito apolíneo” e o “espírito dionisíaco” na cultura grega e seus reflexos na cultura ocidental. O “espírito apolíneo” está relacionado com o deus Apolo e a rigidez das formas ( Nietzsche também relaciona esse espírito com o pensamento racionalista socrático/platônico) e o “espírito dionisíaco” está relacionado com o deus Dionísio, com a embriaguez , com desrespeito as formas e medidas e com a música. De modo geral Nietzsche diz que a causa da decadência da cultura grega e consequentemente da cultura ocidental está na valorização do princípio apolínio em detrimento do princípio dionisíaco, na desvalorização do instintivo e do sensorial. Assim Nitetzsche faz uma crítica ao pensamento racionalista socrático/platônico.

Fica aqui agora a minha opinião de que a sociedade ocidental atual precisa realmente resgatar esse  “espírito dionisíaco”  para tentar reestabelecer um equilíbrio e também aprender com outras culturas, sociedades, religiões e crenças a valorizar e sacralizar o mundo e corpo

Clara Habib.

Canto Lírico? Alguns equívocos…

•julho 29, 2008 • 10 Comentários

Está ficando cada vez mais comum encontrar em fóruns e mesmo entre pessoas que eu conheço uma confusão entre “canto lírico” e a maneira de cantar utilizada pelas vocalistas de algumas bandas de heavy metal como Nightwish, Epica etc. Não estou querendo dizer com isso que uma coisa é melhor do que a outra, mas existem diferenças e pretendo falar um pouco sobre elas aqui!

Definições são sempre complicadas de fazer e passíveis de questionamentos. É muito díficil reduzir vários conceitos em uma simples definição, mas podemos tentar.
Como definir então “canto lírico”? O “canto lírico” é um conjunto de técnicas vocais e respiratórias que são estudadas juntamente com tópicos de anatomia, teoria musical e percepção. Esses conhecimentos são aplicados em um repertório erudito que também exige estudo de interpretação e de diversas linguas. Esse repertório erudito não está restrito as óperas, como muita gente também pensa, existem diversas “escolas” e estilos de canto lírico.

Vamos falar um pouco agora sobre as vocalistas de bandas de heavy metal como Nightwish, Epica etc. Geralmente são pessoas que estudam alguma técnica vocal e tem a voz empostada, levam algumas influências da música erudita para seu repertório, mas isso não quer dizer que são cantoras líricas.
A questão de projeção e volume nessas cantoras é bem menos trabalhada pois elas tem o suporte do microfone, que é raramente utilizado no meio erudito.
A própria Tarja em uma entrevista esclarece algumas dessas questões, ela estudou canto lírico, mas diz que o que fazia no Nightwish era diferente, ela usava algumas técnicas e conhecimentos do canto lírico e adaptava a realidade e ao estilo do heavy metal.

Eu também, de uma maneira diferente da Tarja (kkkkkk), participo dessas duas realidades e posso dividir um pouco da minha experiência. Estudo canto lírico a 5 anos e tenho uma banda de heavy metal. Com certeza eu aplico algumas coisas que eu aprendo nas aulas de canto na minha banda, mas de uma maneira diferente, uso vários conceitos básicos da técnica vocal que estudo da maneira que minha voz fique “colocada”, empostada e que não sofra danos com o decorrer do tempo. Aplico esses conhecimentos ao estilo do heavy metal , pois não tem como eu cantar na banda do mesmo jeito que cantaria a ária de uma ópera por exemplo. A música erudita, no geral, exige mais de mim principalmente no que diz respeito a esforço físico, respiração e potência vocal, também exige uma colocação vocal muito diferente.

A seguir alguns videos para ilustrar essas diferenças:

Nesse vídeo a soprano Anna Netrebko canta a ária “Quando m’en vo” da personagem Musetta da ópera La Bohème de Puccini.

Tarja Turunen, também soprano na sua música I Walk Alone.

Clara Habib.

Clara´s verden

•julho 29, 2008 • Deixe um comentário

Estou criando este espaço para dividir com outras pessoas (ou somente comigo) o que eu faço, o que sei (ou penso saber), o que eu gosto, adimiro e também o que detesto ou não concordo e tenho que criticar!
Enfim, esse é um espaço para eu expressar o que está presente todos os dias na minha vida e talvez assim entender tudo com mais clareza.
Bem vindo ao meu mundo…

“We’ve been dreaming but who can deny,
it’s the best way of living between the truth and the lies.”